Minhas Leituras. “Sobre José Saramago.”

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José Saramago

Voltei à leitura de José Saramago, o gênio português, aquele que ganhou um Nobel de Literatura em 98 e que morreu em 2010. Saramago é único em seu estilo. Escritor para encantar outro escritor precisa ter algo novo, um espírito de renovação, e, para mim Saramago é este, a exemplo de Nietzsche com quem me envolvi numa relação ambígua antes de conhecer a obra de Saramago. Li Caim, seu último livro, também havia lido um livro que traz entrevistas que Saramago concedeu durante toda sua vida, enquanto escritor famoso.

Havia lido e me encantado com “Ensaio Sobre a Cegueira”. Também já havia lido um pequeno livro seu, com um nome estranho, com pequenos textos, “Objeto Quase”. Mas resolvi voltar à leitura dos seus outros livros, então esta semana li mais 4 livros importantes entre tantos. Li “A Caverna,” onde ele conta uma história comum, em que um oleiro perde seu comprador, e precisa encontrar outra forma de sobreviver, contudo o livro me causou certa decepção, pois havia inferido, pelo título, que se tratava de uma tese reformada sobre o mito de Platão. Contudo só no final do livro aparece uma única vez a expressão caverna de Platão. Mas é um bom livro, digo bom livro para quem tem folego de leitura, pois as nuances de detalhes são deveras cansativos para quem não tem interesse por filosofia e psicologia humana. O livro me revelou algo muito interessante, Saramago é apenas um bom escritor, contudo, não deixa de ser genial. O cão, o Achado, é, sem dúvida seu personagem mais relevante neste livro.

Li, ainda esta semana, “Intermitência da Morte”, neste sim, o gênio do “Ensaio Sobre a Cegueira” retorna com força, ou está presente, pois me foge a cronologia da escrita dos dois livros em questão, mas não posso deixar de apontar algumas falhas do Grande espírito crítico, de Saramago, penso que, perto do final do livro, quando se reverte a causa da não morte dos habitantes do seu país fictício, Saramago perde um pouco o rumo, e o livro fica um tanto chato, pela repetição, de análises psicológicos irrelevantes, sobretudo quando ele tenta emendar e esticar o assunto da morte, que se torna persona literal, com supra poder e grandes delírios criativos, todavia, recomendo, este sim é um excelente livro.

Depois li um livro que há muito tempo me devia seus estudos, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, este livro pomposo pelo título, foi outra sutil decepção, Ricardo Reis vaga e divaga em Lisboa, do hotel Bragança para teatros e cafés, tem um romance com uma arrumadeira, Lídia, que sai dos poemas do próprio protagonista. Lídia tem um irmão revolucionário, então Saramago amarra o desfecho da história na morte deste tal Victor, que não respira junto às outras personagens, uma vez que é apenas citado por terceiros.

O que encanta são os encontros com Fernando Pessoa, que depois de sua morte visita Ricardo Reis em horas improváveis. Apenas uma observação, nesse livro falta o cão, um espírito presente em muitos dos seus livros, Ricardo Reis contextualiza a revolução espanhola e, ampassã, também trata da situação política do Brasil, país de onde volta a Portugal. Há uma virgem, mas este romance não prospera, talvez o grande escritor revele neste livro algum pudor, e não consuma o romance com a mocinha aleijada, que tem pai médico, assim como Reis. Contudo, a moça  me pareceu encantadora, mas indecisa. Estou acabando o Evangelho Segundo Jesus Cristo, seu clássico, e sobre este escrevo depois.

Evan do Carmo

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