Os Deuses da Literatura.

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Kafka

A academia sueca propôs uma conferência, uma espécie de congresso, com intuito de reunir numa mesma sessão solene os maiores escritores de todos os tempos. Então neste ano, por se tratar de um evento majestoso, o Nobel de Literatura seria votado por estes ilustres literatos, no final deste memorável congresso. Desta forma procederia ao julgamento, para escolha de mais um imortal e milionário escritor ocidental. Seriam apresentados os nomes, previamente estudados pelos membros da academia sueca, e submetidos aos excelsos juízes. Isto se daria ao final do inédito e inimaginável evento colossal.

Então foram enviados os convites para todo autor que tivesse uma obra consagrada no cânone da literatura universal, todavia para isso se dar de maneira ordeira, primeiro fora feita uma preleção, uma vez que não haveria lugar suficiente, caso fossem chamados todos os escritores clássicos, com obras relevantes, abrangendo vários séculos da história da literatura. Importante ressaltar, que os poetas não foram convidados, talvez porque a academia não teria condições de julgar poesia, contudo, preferimos acreditar que não foram convidados, porque provavelmente não aceitariam um convite tão imprevisto.

Então da Grécia vieram Platão e Sócrates, muito se procurou por Homero, mas não fora encontrado em lugar algum, pois se fizera confusão sobre sua origem natal, se grega ou romana, ninguém soubera explicar em que época ou em que endereço poderia se encontrar aquele que possui tantos rostos, com apenas um nome, indelével no cânone mais que sagrado da poesia épica mundial. Da Rússia vieram Dostoievski e Tolstoi. Da França vieram Marcel Proust, Albert Camus, Michel de Montaigne e Voltaire. Da Alemanha vieram Nietzsche, Schopenhauer e Goethe. Da Espanha veio apenas Miguel de Cervantes. Dos EUA vieram Herman Melville e Scott Fitzgerald. Da Inglaterra vieram John Milton, William Shakespeare. Da Irlanda vieram James Joyce e Oscar Wilde. De Portugal vieram José Saramago e Luiz Vaz de Camões.

Dissemos antes, por mero descuido factual, que os poetas não haviam sido convidados, todavia, Camões e Fernando Pessoas se fizeram presentes em espírito, especialmente nas obras de todos os autores ocidentais, que ali se encontrara, ambos são, antes de tudo grandes, escritores, grandes filósofos. Este congresso não teria o ingrediente necessário, sobretudo a dose exata de sapiência singular, que se encontra nas angústias metafisicas de Fenando Pessoa. Da República Checa veio apenas Franz Kafka, pois não se achou mais que um escritor nesta região inóspita, no entanto não fora este o motivo de ter sido ele convidado, fora convidado, sobretudo pela obra magistral de sua metamorfose, por seus contos singulares e seu processo criativo inacabado. Da Colômbia veio Gabriel García Márquez. Contudo, sobre Homero, que será discutido com mais profundidade logo à frente, temos que reconhecer, que sem ele, ou eles, pela falta de uma identidade única e definitiva, coisa sem relevância neste contexto, a literatura ocidental não existira, não como existe hoje. Foi Homero, sem sombra de dúvida, o maior de todos dos criadores épicos da história humana, superando até Moisés, se é que ele tenha escrito mesmo alguma coisa dos livros que lhe são atribuídos, e tantos outros que vieram depois dele.

A palavra “épos” vem do grego e significa “versos” e, portanto, o gênero épico é a narrativa em versos que apresenta um episódio heroico da história de um povo. Na estrutura épica temos: o narrador, o qual conta a história praticada por outros no passado; a história, a sucessão de acontecimentos; as personagens, em torno das quais giram os fatos; o tempo, o qual geralmente se apresenta no passado e o espaço, local onde se dá a ação das personagens.

Neste gênero, geralmente, há presença de figuras fantasiosas que ajudam ou atrapalham no curso dos acontecimentos. Quando as ações são narradas por versos, temos o poema épico ou epopeia. Dentre as principais epopeias, temos: Ilíada e Odisseia.

As obras Ilíada e Odisseia são obras atribuídas ao poeta greco-romano Homero, o qual teria vivido por volta do século VIII a. C.. A primeira trata-se da história do último ano da Guerra de Troia entre gregos e troianos. Quando os troianos sequestram a princesa Helena, os gregos articulam um plano de resgatá-la por intermédio de um grande cavalo de madeira, chamado de Troia, o qual é levado à cidade de mesmo nome como presente.

Durante a madrugada, os soldados gregos que estavam dentro da barriga daquele animal madeirado atacam a cidade. Esta obra está dividida em 24 cantos e é composta de versos hexâmetros dactílicos (verso composto de seis sílabas poéticas, com sílabas variadas em uma sílaba longa e duas breves), formato tradicional do período épico grego. Este poema influenciou a era clássica na Grécia e também no Império Romano e permanece como uma das obras mais importantes de toda literatura mundial até os dias de hoje.

A segunda obra trata-se do retorno dos gregos, os quais estavam em Troia, de volta à Grécia, e é focada na história de Ulisses, personagem principal deste poema. Durante a viagem, Ulisses passa por diversas aventuras e enfrenta personagens mitológicos, como o Ciclope.

Por Evan do Carmo

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