Dia 12 de março

Hoje o meu dia foi bem produtivo, trabalheI mais uma vez no Salão do Reino, fiz alguns acabamentos finais no palco, recortes de cerâmica. Depois do almoço lá na obra com dezenas de irmãos, fui buscar minha neta Beatriz no colégio, em seguida, depois que ela almoçou, em casa com Iranete, eu a levei ao curso de inglês em Águas Claras,  fiquei lhe esperando num café, em frente ao prédio do cursinho. Às 15 e 30 voltamos para casa. Logo em seguida, ás 17, fui buscar meu filho Evan Henrique no trabalho, na Cultura Inglesa onde ele leciona, todavia, foi na ida para pegar meu filho, que me veio uma sensação estranha. Olhando os carros, os prédios, as pessoas indo e vindo num alvoroço sem fim, pensei: que objetivo tem esta corrida dos homens, assim como eu que tanto corri durante todo o dia de hoje. Este pensamento me elevou para um estado de insatisfação, me perguntei:  Para quê corremos tanto?

Qual o sentido ou a razão de tudo isto? Logo me veio à mente a expressão de Eclesiastes, “tudo é uma corrida para alcançar o vento,” tudo inútil, o homem não tem a  ideia do que faz aqui, muito menos o que será do mundo depois que ele se for, quem virá para assumir seu lugar, somos de fato pedras ou grãos de areia, que se movimenta com a força do vento, estamos solto no meio do caos, e, enquanto vivos pensamos muito sobre o futuro, mas a vida se esvai tão rápido, que quando menos esperamos ela já se passou, e temos apenas o presente enfadonho, estamos com a idade avançada e não podemos mais realizar nem esperar que nossos sonhos sejam concretizados.

Deixamos filhos, felizes são aqueles homens que deixam filhos, pois conservam a ilusão da eternidade, e também que estes filhos possam chegar mais alto do que eles na escada dos sonhos preteridos. Esta confusão mental, se bem que não a entendo desta forma, isto para alguns pode ser prejudicial. Contudo, para mim é sinal de que há por perto a me provocar, o meu espírito de poeta, aquele que não está contente com a vida comum, mesmos que se esforce não consegue se calar diante de tanta futilidade dos homens. Portanto quem fala agora é o poeta, este ser anônimo que prescruta as ações dos humanos, e não raro se esquece que também é homem mortal e estúpido, como todos os homens, que por ser poeta não pode ter outro destino que não seja a vida angustiada e uma morte sem glamour, apenas se apraz com a certeza da tragédia, mas uma tragédia comum a todos os seres vivos, igual para homens e animais.

Mas o dia não foi, como disse antes improdutivo, nem na obra de homem comum nem na poesia, este texto que ora escrevo, o faço depois de cozinhar para minha família, depois de uma taça de vinho, num clímax para produção intelectual deste poema, ao som do incomparável e supra eterno Wagner. Sou um pedreiro que escuta música clássica e que toma vinho, portanto a vida não é assim tão inútil como me pareceu no inicio deste texto. Ah, hoje fui convidado para um programa de TV, a ser exibido amanhã, para falar sobre a paz, e na oportunidade também devo lançar meu mais recente livro, Ensaio Sobre a Loucura.

Por Evan do Carmo

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