Captação de água do lago é inaugurada sob protestos de ambientalistas

O Governo do Distrito Federal inaugurou na manhã desta segunda-feira (2/10) o subsistema de captação e tratamento do Lago Paranoá. A obra, feita em caráter emergencial, é a primeira de abastecimento hídrico inaugurada no DF nos anos 2000 e foi concluída em cinco meses, um mês após o cronograma inicial.
Ed Alves/CB/D.A Press
O governador Rodrigo Rollemberg bebeu a água do Subsistema do Lago Paranoá
O governador Rodrigo Rollemberg bebeu a água do subsistema para demontrar que o líquido é próprio para o consumo e responsabilizou gestões anteriores pela crise no abastecimento. “Lamentavelmente, os governos anteriores não investiram em captação e tratamento de água. Nosso governo, desde o primeiro mês, compreendendo a importância, reservou recursos para esses investimentos”, afirmou. O total de R$ 42 milhões investido foi liberado pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, ligada ao Ministério da Integração Nacional.

 

O subsistema abastecerá as regiões administrativas de Lago Norte, Paranoá, Itapoã e Taquari, atualmente assistidas pelo reservatório de Santa Maria. Segundo Maurício Luduvice, presidente da Caesb, o volume inicial das captação foi de 50 litros por segundo para ser aumentado gradualmente. No momento da inauguração, estava em 200 litros por segundo. Durante 90 dias, a operação será assistida pela empresa responsável pelo projeto, a Enfil. No fim desse período, a vazão de água chegará a 700 litros por segundo.
Ainda neste mês, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) espera colocar em funcionamento o Subsistema Produtor de Água do Bananal, que abastecerá Asa Norte, Sudoeste, Cruzeiro e Noroeste. Com as novas captações colocadas em funcionamento, a Caesb espera que, até dezembro deste ano, cidades abastecidas pelo Descoberto, como Guará, Núcleo Bandeirante e parte de Águas Claras, passem a ser atendidas pelo Santa Maria, para desafogar o principal reservatório do DF.
Descoberto e Santa Maria encontram-se atualmente com os piores volumes da história, 16,9% e 29,1%, respectivamente.

Protesto

Durante o evento, membros de diversas ONGs ambientalistas protestaram contra a construção de novos setores habitacionais à beira do Lago Paranoá, o que, segundo as entidades, pode agravar a crise de abastecimentos. “Não quero beber água de esgoto”, gritavam, em referência ao fato de, pela primeira vez, a captação de água para abastecimento no DF ser feita do mesmo local onde é despejado o esgoto tratado.
Membro do projeto Projeto Águas da Serrinha do Paranoá, a gestora ambiental Yorrana Moraes destacou que “produtor de água não é o novo Subsistema, mas sim as mais de 100 nascentes e nove córregos nos núcleos rurais do Lago Norte”.
Os manifestantes alertavam para a possibilidade de o Lago Paranoá secar, seguindo o caminho do Descoberto e de diversos outros reservatórios do Brasil, que seguem em estado de alerta. “Temos que cuidar das áreas de nascente, senão seguiremos os mesmos passos dos outros reservatórios. O governo está querendo regulamentar o Taquari II, no núcleo rural próximo ao córrego do Urubu. São mais 6 mil pessoas jogando esgoto, tratado ou não, no Lago Paranoá para nós bebermos”, conta.
Segundo Rollemberg, não há riscos no consumo da água do Lago Paranoá. “Escolhemos esse ponto devido à qualidade da água bruta, que ainda passa por um tratamento de alta qualidade da Caesb”, garantiu.
Fonte: Correio

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