ENTREVISTA COM O POETA WITIMA SANTOS

24115685_753885514781786_1198534104_o.jpg
Witima Santos

Quem é Witima Santos?

Eu costumo dizer que dentro de mim existe muitas versões de mim mesmo… Versões cujo a vida tem me apresentado ao longo dos anos, versões que eu desconheço e me surpreendo quando somos ” apresentados”. Witima Santos é uma eterna criança! A pureza está no coração da criança, a dúvida, a sede por respostas, o senso de igualdade, de não se sentir superior a ninguém… São coisas que eu sempre quero manter vivas dentro de mim… E também procuro ponderar e conciliar responsabilidades e obrigações com coisas que quebrem essa rotina, vivendo uma vida descompromissada e ao mesmo tempo consciente.

Quais foram as suas primeiras influencias para poesia?

Sempre me senti abduzido pela ideia de transcrever o que eu pensava, o que eu sentia em forma de poemas, foi algo que eu sempre tive vontade de fazer, mas que eu não tinha ideia de como isso seria possível…

E quando criança via meu irmão escrevendo alguns versos e eu gostava de ler as coisas que ele escrevia e a partir daí fui criando meus próprios versos.

 Em que momento você sentiu a necessidade de fazer poesia?

Houve um período da minha adolescência onde eu não me sentia bem com os amigos que eu tinha, que eram pouquíssimos por sinal e eu me sentia excluído. Me sentia deslocado no meio da multidão! Então, eu fui aprendendo a gostar do silêncio, da ” solidão”… E comecei a gostar de conviver com os meus pensamentos, minhas revoltas… Eu sentia que eu precisava expressar o que eu sentia, o que eu pensava de alguma forma… Então, comecei a escrever minhas ideias, comecei a colocar para fora a ótica pela qual eu observava o mundo e era afetado por ele.

Que tipo leitura é imprescindível para um poeta?

A meu ver, julgo imprescindível leituras que nos fazem olhar para dentro de nós mesmos, leituras que coloque em xeque o que acreditamos e nos façam acreditar com mais firmeza sobre o porquê de acreditarmos em algo. Citarei apenas dois entre centenas de outros mais…

Para mim “Zaratustra” de Nietzsche, e, “O profeta” de Gibran… Pode dar uma ótica menos superficial para quem escreve ou, pretende aprimorar as próprias ideias.

 Em que hora do dia você gosta de escreve?

Quando estou com tempo vago, sempre que surge a ideia, procuro passar para o papel…

Mas, quando a rotina está um pouco corrida, geralmente escrevo durante à noite e início da madrugada. Depende muito da forma como as ideias são ” debulhadas” na minha concepção.

Qual é a temática da sua poesia?

Não tenho uma temática específica…  Creio que escrevo de acordo como as coisas me aflige.

Mas, sempre procuro colocar o amor, a simplicidade, e sinceridade nos meus versos.

A meu ver a poesia é a alma nua, a verdade explícita…

As pessoas a interpretam como ilusão, mas, nela se encontra as mais diversas verdades sobre quem às escreve, sobre o mundo e sobre o indizível.

Como acontece seu processo criativo?

Há pensamentos que por si só buscam um sentido, uma forma para ser transcrito, manifestados… E há pensamentos que são consequências da minha forma de ver o mundo, e absorver as coisas em minha volta…  Então, a ideia se forma em minha mente, embrutecida… E eu tento expressá-la de uma forma que façam com que as pessoas fiquem em xeque, que cause espanto, que as faça refletir sobre o que eu quero expressar no meu subentendido. Porque a poesia não é de quem escreve, a poesia é de quem lê.

Um poeta especial para você?

Assisti o documentário de Manoel de Barros ” Só dez por cento é mentira” e lá ele fala que encontrou a poesia onde ninguém via, nos escombros, no que o homem julga como insignificante e de certa forma eu me vi entre os escombros, anônimo…

Até que uma amiga, Vanessa Cristina, me fez uma pergunta ” Você já pensou em escrever um livro”?  ela foi a primeira pessoa que gostou do que eu escrevia, e sempre me falava que eu tinha potencial pra escrever um livro…

E foi através dela que conheci o Evan do Carmo, ela já havia me falado dele, só que até então não o conhecia, ela me marcou num dos projetos “dez poetas” e a parti daí acabei conhecendo o Evan… O Evan assim como Manoel de Barros me encontrou em meio aos ” escombros” (onde ninguém me viu), e viu que o que eu escrevia fazia um pouco de sentido… (Risos)

O Evan é uma pessoa que eu admiro não só por conhecê-lo como escritor, editor…  Mas, por conhecê-lo como pessoa, como amigo, como irmão.

Eu poderia ter escolhido qualquer um dos grandes nomes da literatura brasileira que tem o seu nome escrito na lápide da ” eternidade”, cujo, eu conheço apenas a arte e procurar um motivo para ser especial para mim…  Mas, prefiro falar sobre o que eu realmente ” conheço”.

Como concilia religião e poesia?

O conhecimento religioso é uma ponte que me leva ao outro lado de mim mesmo…

Me traz respostas que a ciência por mais avançada que esteja não consegue responder…

Me traz respostas sobre assuntos que são imprescindíveis na existência do ser humano.

E esse conhecimento tem feito de mim uma pessoa melhor, tem me lapidado ao longo desses poucos anos de existência.

Eu convenço a mim mesmo sobre o que eu acredito, e o porquê de acreditar de tal forma.

Esse conhecimento fez de mim um aprendiz e um instrutor… O que eu aprendo eu repasso para outras pessoas…  Eu ajudo outras pessoas a encontrar as respostas que eles tanto procuram, e verem com os próprios olhos (terem certeza por elas mesmo), de que a resposta baseada na bíblia pode ser satisfatória.

E eu uso isso na minha escrita, o que eu acredito, a forma como eu acredito…

Por isso eu gosto de escrever de uma forma que induz o leitor a pensar, a reflexão…  Porque somente através da reflexão é que se chega a uma ideia plausível.

A humanidade continua presa a dogmas de milhares de anos atrás e nunca procurou questionar isso, ideias absurdas são passadas de pai pra filho por séculos e poucas pessoas procuraram encontrar uma resposta satisfatória…

As respostas existem, e é através de estudos e pesquisas que às encontramos.

Um livro inesquecível?

Um livro inesquecível para mim é ” Asas partidas” de Khalil Gibran… É um romance vivido pelo autor, que não pode ir em frente por diferenças sociais e religiosas.

E esse livro se tornou inesquecível para mim pela sinceridade que eu pude sentir na narrativa, a entrega, todo mundo quer viver uma história de amor que seja como nos livros… Só que nem toda história de amor pode ser vivida, por inúmeros porquês, mas, podemos sentir o amor e levá-los pela vida inteira!

Quem você gostaria de ter sido, se não fosse quem é?

Eu não consigo me imaginar sendo outra pessoa… Cada um de nós carrega suas próprias dores, o que eu sou hoje é consequência de muitas coisas que eu vi, que eu passei…  Se eu fosse outra pessoa talvez eu teria passado por situações que eu não saberia lidar, situações que teriam feito de mim uma pessoa melhor ou pior do que eu sou agora. Para mim…. Descobrir quem eu sou é mais importante do que me imaginar sendo um alguém que eu poderia ter sido, um alguém imaginário.

Qual a sua maior preocupação ao escrever?

Minha maior preocupação ao escrever é questionar o leitor!

Induzi-lo a pensar, questionar, fazê-lo acreditar em si mesmo, acreditar no amor, viver o agora de uma maneira que ele não se arrependa num improvável amanhã, de maneira consciente e responsável!

Fale-nos um pouco dos seus livros.

Tenho dois livros, um é uma participação em uma antologia que publicou mais cem poetas no período de um ano (dez poetas e eu), e o outro é meu livro solo “grito e silêncio”, ambos publicados pela Editora do Carmo.

Ambos têm um valor sentimental muito grande para mim… O primeiro por ter sido o ponta pé inicial de tudo, meus primeiros versos publicados, o ” barro” que fez com que a ideia de escrever um livro se concretizasse.

O segundo foi um pouco inacreditável pelo fato de que eu não sabia que tinha um material pronto para um livro solo, então, quando vi o resultado dos poemas que eu já havia escrito nem acreditei que formaram um livro com mais de 150 páginas…

Páginas que escorrem uma metamorfose de emoções singulares que eu jamais pensei que tornaria público um dia.

Como você classifica a poesia atual brasileira?

A poesia a meu ver é algo que nasce pela rebeldia…

Rebeldia num bom sentido!

No sentido de que nasce independentemente de público, nasce pela necessidade de expressão, pela necessidade de não ser consumido pelo que nos aflige.

Mas, isso não é o suficiente!

É preciso sair do anonimato, tornar conhecido a nossa arte…

Isso, a meu ver, ainda é o principal empecilho da poesia atual, embora vivemos na era virtual, com um alcance inimaginável…

A sociedade não dá valor a poesia que contraria o superficial, que vai além do erotismo atual.

E no nosso país tem muitas pessoas com grande potencial, um público jovem muito grande se expressando nas redes sociais, com ideias magníficas…

Em breve veremos grandes nomes sendo descobertos e suas ideias sendo publicadas.

Fale dos projetos para novos livros

Tenho um projeto futuro… ” Rios de silêncio”, é um projeto da Editora do Carmo do concurso de poesia ” Cruz e Sousa” onde fiquei em terceiro lugar.

Serão poemas de um período de um ano, o material já está quase pronto, ainda estou fazendo algumas revisões e edições.

E também, tenho alimentado a ideia de escrever um conto, ou, um romance…

Ainda não tenho uma ideia definitiva de como ou quando será… tenho apenas um vislumbre dessa possibilidade.

SONETO A UM AMOR IMPROVÁVEL

Perdoe minha descrença no improvável,
O agora escorre pelas minhas mãos vagamente…
Tornando-se um passado imponderável,
deixando-me um vazio inconsequente.

Improvável, nada mais que improvável…
Foi o momento em que à tive em meu presente,
no calor de uma paixão formidável,
que é apenas uma lembrança em minha mente.

Ou, seria apenas um sonho,
anomalias de desvario e realidade,
Que habitas nos tristes versos que componho

Testando a veracidade de minha incredulidade,
No amor que eu pressuponho,
Que alcaçaria a eternidade!

 

Witima Santos

 

 

ÚLTIMA CARTA

 

Se um dia o acaso sussurrar meu nome ao seu ouvido,
e você se der conta que já não sabe mais nada sobre mim…
Se você sentir a sensação de que eu me tornei apenas uma vaga lembrança…
E isso lhe trouxer algum remorso, a ponto de você procura meu número na agenda do seu telefone,
ou, quem sabe, me procurar em alguma rede social,
e não encontrar meus vestígios…
Não se desespere!
Tampouco, tente me encontrar novamente.
Tudo que eu queria era orbitar meu mundo junto ao seu,
mas, nossos mundos eram tão distintos…
E essa aproximação poderia lhe trazer algumas lágrimas…
Tristes lágrimas que eu não suportaria vê-las escorrendo de teus lindos olhos castanhos.
Você fez de mim um homem melhor, embora você nunca irá saber quão profundamente você me transformou.
Sei que deve estar tudo tão confuso agora, mas, com o tempo tudo vai voltar a ser como era…
Fico supra feliz em saber que tudo deu certo em tua vida, eu sempre soube que você alcançaria o inatingível e nunca deixei que você se esquecesse disso.
Você é uma garota incrível!
Sempre me faltará palavras para descrever teus vestígios…
Você é uma incógnita de valor imensurável que me fracionou para que eu coubesse em seu cálculo,
e o resultado foi muito além do que eu poderia dizer nessa carta.
Guarde apenas as boas lembranças, nossas risadas, nossas conversas estranhas…
A minha melhor versão só você pode conhecer…
E é essa versão que eu quero que você guarde em seu coração.
Continue guardando esse segredo, pois, onde eu estiver também existirá uma parte de você.
Adeus!

– Witima Santos –

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s