ENTREVISTA COM O JORNALISTA E POETA EDERSON MARQUES

 

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Ederson Marques

Quais foram as suas primeiras influências para a escrita e poesia?

Eu deveria ter uns 15 anos quando me interessei pelo jornalismo. Comecei a ler tudo que aparecia: jornais, revistas, livros, folhetos…  Tudo era uma diversão. Cursei jornalismo e, assim, tive acesso a tantos bons autores. A poesia veio por meio de um amigo de curso. Flávio Correa tem alma nobre e sempre recitava poesias no trajeto de nossas casas para a faculdade. A gente dividia carona. Ele, desde aquela época, já escrevia poesias. Grande poeta, diga-se de passagem. Com ele, vieram nomes como Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Bertolt Brecht…

Em que momento você sentiu a necessidade de escrever?

Essa necessidade me acompanha desde os tempos de criança. Aprender a ler e escrever foi uma diversão. Na escola, sempre tirava boas notas em redação. Uma vez, levei uma chamada do diretor da escola que frequentava porque escrevi uma redação e ela rodou nas mãos dos alunos. Naquela época, nós passávamos por um processo eleitoral para diretor, mas o peso do voto não era o mesmo para alunos, funcionários e professores. Ou seja, assim como na Grécia Antiga, a democracia não era lá uma grande democracia. Ao colocar peso no voto por nicho, você acaba favorecendo uma minoria. Expliquei isso na redação e os alunos ficaram inflamados. Teve boicote no dia da eleição e a coisa só andou depois que as regras foram revistas. Antes, porém, me ameaçaram de expulsão. Eu tinha 15 anos.

Que tipo leitura é imprescindível para um poeta ou escritor?

Gosto de leituras que nos aguçam o senso crítico. Sou jornalista e a crítica é algo muito presente nos meus textos. Critico até a mim mesmo. A crítica construtiva faz a humanidade evoluir. Mas também gosto de romances e livros que nos ensinam muita história, seja ela do Brasil e de outros países. Recentemente, reli Persépolis, de Marjane Satrapi. A Revolução do Irã tem muito a nos ensinar neste momento em que a religião está avançando fortemente na política brasileira.

Em que hora do dia você gosta de escrever?

Por ofício, escrevo todos os dias o dia quase todo. Mas por prazer eu gosto de fazê-lo em minha casa, tomando um café ou uma taça de vinho. A hora é sempre aquela mais tranquila. Na maioria das vezes, pela noite. Mas nos fins de semana também saem textos leves que publico em meu blog.

 Qual é a temática da sua escrita?

No jornalismo, política. Na vida, gosto de escrever sobre ciência, astronomia, comportamento (o meu em particular) e, de vez em quando, futebol. Muitos textos profundos são feitos quando a gente consegue descrever com sinceridade o que sentimos. Nesta hora, não há nada no mundo que deixe o texto feio, desinteressante ou deselegante. O texto tem vida e suas palavras tocam o coração das pessoas. Me corta o coração pensar que um ser humano não consegue ler. Ler é uma dádiva.

Como acontece seu processo criativo?

Não tenho ritual para isso. Às vezes acordo no meio da noite, pego meu bloco de notas e escrevo. No dia seguinte, vou reler o que veio lá. Muita coisa salva e se transforma em algo. Algumas outras simplesmente se perdem por eu não achar que valha a pena.

Um escritor especial para você?

Gosto bastante do escritor francês Júlio Verne. As aventuras narradas por ele acompanharam muitas gerações e continuam servindo de inspiração para os mais jovens. Não posso deixar de citar também o belga Georges Prosper Remi, que nos presenteou com o grande jornalista investigativo Tintim. No Brasil, me encanta a matemática de João Cabral de Melo Neto e a narrativa de João Guimarães Rosa.

 Como concilia trabalho de jornalista na com a literatura?

Uma coisa complementa a outra. Um jornalista precisa ler todo dia. A leitura melhora a escrita. Sempre pensei assim. Hoje, com as tecnologias disponíveis, lemos quase que 24 horas por dia. E, nisso, consigo ver poesia até na forma de “teclar” de usuários de grupos de WhatsApp. A forma de se comunicar está mudando e não tardará muito para ser feita outra reforma ortográfica na língua portuguesa. Atentem-se para a forma como os mais jovens se comunicam na internet. Tem horas que até penso que estão se comunicando em outro idioma.

Um livro inesquecível?

Le Petit Prince, no original de Antoine de Saint-Exupéry.

Quem você gostaria de ter sido, se não fosse quem é?

Francisco de Assis.

Qual a sua maior preocupação ao escrever?

Palavras, por muitas vezes, maltratam mais que uma palmada.

Fale-me dos seus projetos, na literatura e no jornalismo político, onde atua.

Atualmente tenho preparado campanhas de políticos em 10 Estados do Brasil para 2018. Na literatura, tenho a intenção de publicar um livro de crônicas em 2019, depois que a correria das eleições passar.

Como você classifica a poesia e a literatura brasileira?

Ricas, magníficas, históricas e inspiradoras.

Fale das suas frustrações com relação à política do Brasil.

O sistema não funciona e quem pode mudar isso não tem a menor intenção de fazê-lo. Algumas vezes penso que algo só vai começar a mudar no nosso país quando estourar uma revolução que quebre os três pilares da nossa sociedade; político, social e econômico.

Pensa em se mudar do Brasil, se pensa para onde deseja ir?

Quero passar um período fora para estudar. Penso em Portugal o Espanha.

 Família, o que representa para você?

Fortaleza.

Acredita que podemos atingir a maturidade existencial, por meio da educação, sobretudo pela leitura de bons livros?

Fora da educação só existe trevas. Não consigo ver outra saída. O conhecimento transforma tudo. Quem começa a aprender, conhecer e se aventurar na dinâmica do crescimento intelectual nunca mais será o mesmo.

Poema premiado em terceiro lugar no concurso de poesia da Editora do Carmo em 201

POEMA

PÁSSARO DAS 4

Pela janela do quarto

Escuto um pássaro

Sem falta, sem atraso

Todo dia, às 4

 

Assim como o veludo

O cantar é macio

No meu mundo desnudo

Nenhum pássaro faz ninho

 

Lá pelas 4

O cantar é exato

Desperto assim, sem ti

Neste mundo ingrato

 

Será um tico-tico?

Talvez um bem-te-vi

Sendo certo um sabiá

É porque não está aqui

 

Esse pássaro sempre volta

Todo dia lá pelas 4

Já meu amor por você

Virou peça de teatro

 

———————–Ederson Marques

Ederson Marques – Jornalista, cientista político, poeta e amante das belas artes. Co-autor do livro “Brasília – 48 anos de esperança” e pesquisador do livro “Fantasiön”, relato de um sueco sobre Brasília.

 

 

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