AINDA HÁ AMOR ENTRE NÓS

Ainda temos as crianças entre nós, talvez seja esse o motivo que nos faça acreditar na humanidade, mesmo que às vezes se mostre sem futuro e sem esperança.

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Giovanna & Benício

Todavia, mesmo entre as crianças, observo uma degradação moral que me assusta. Penso que a própria inocência já nasce, em alguns casos corrompida, ou nos melhores casos, esta inocência é atrofiada pelos maus exemplos dos pais.

Contudo, é preciso ter esperança, e para encontrar razão para isso, penso que se faz necessário ter muita fé e, de certa forma requer muito esforço psicológico, no sentido de procurar, mesmo entre as crianças uma fagulha de luz, alguma atitude em seus tratos com seus semelhantes, com outras crianças, motivo justo para continuarmos a ter esperança no futuro delas. Como será o mundo onde essas crianças irão habitar?

Tive o privilégio de viver um instante sublime, foi em um parquinho, no prédio onde resido atualmente, ao brincar com os meus netos. Havia muitas crianças, de várias idades, mas foi Giovanna quem me surpreendeu. Ela tem só cinco aninhos e uma maturidade emocional de dar medo. Enquanto Benício, meu neto, que tem apenas dois anos se engalfinhava com uma menina da mesma idade que queria tomar seus bonecos, coisa que ele, como um brutinho que é, não deixou, sua violência em resistir contra os ataques da menina a fez chorar, e ele logo saiu de perto, sem se comover com o lamento da menina.

Mas Giovanna, que observava de perto, depois do fim da batalha de gigantes entre os dois egos mirins, chegou próximo da criança que estava ainda em forte lamúria e deu-lhe um beijo na face. Depois pegou a criança pela mão e lhe ofereceu sua boneca. Mas sua atitude me comoveu sobremaneira, tocou no mais sensível ponto do meu âmago. O beijo meigo, com uma expressão de carinho, de compaixão e empatia até então nunca vistos por mim, tudo isso me fez repensar as motivações dos adultos, sobretudo quando presenciamos uma cena dessa natureza em nossa volta.

Será que ainda temos salvação? Creio que esta nossa geração encontra-se de fato perdida. Mas, a julgar pelo que meus olhos viram esta tarde, talvez ainda exista uma razão para estarmos aqui. Não foi à toa que disse o Mestre, “Deixe-me vir as criancinhas, pois a elas pertence o reino de Deus. ”

Evan do Carmo, 08/-1/2019

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