CONFISSÕES

O que temos feito de importante nesta vida, para mudar o mundo para melhor, para tornar a vida de alguns seres humanos mais digna, mais suportável?  Nada! Temos apenas aceitado calado e indiferente, a tirania dos tiranos e a indiferença dos covardes.

Sabemos que o mundo está repleto de injustiça, todavia, quando temos a chance, a oportunidade real de fazer algo para melhorar a vida de alguém, então ficamos paralisados, esperando que os outros façam, e se for responsabilidade do governo, aí cobramos, como bons cidadãos que o governo cumpra o seu papel social. Mesmo as religiões, ou os religiosos, até os mais bem-intencionados, os que se dizem cristãos, acreditam que é Deus quem deve resolver todas as questões humanas, como a fome, o desemprego, e a falta de condições para se ter o mínimo de dignidade humana.

Ser consciente de uma grave falta de amor e humanidade, igual à que presenciamos hoje, não é tudo, pois muitos são, muitos sabem que o seu vizinho não tem pão para suas crianças, saber disso e não agir para resolver o problema é pecado de omissão ou, como já dito, de grave covardia. Encontro-me em uma encruzilhada, ao chegar a idade de 55 anos, pergunto-me, essas perguntas acima: O que tenho feito de importante por outros? Adquiri algumas habilidades, mas no momento uso-as apenas para minha satisfação pessoal. Se como bem, penso que mereço viver meus dias em serenidade e conforto, como se realmente tivesse feito tudo o que podia, ou como se estivesse dado o meu melhor para servir outros.

Somos um poço fundo, inesgotável de vaidade e orgulho, olhamos apenas para o nosso umbigo. Não somos dignos dos dons nem dos bens que possuímos. Digo isso por fazer uma análise sincera da minha própria situação, da minha própria personalidade, e, uma vez feita comigo mesmo essas interrogações e confissões, penso como muita clareza, que tenha mapeado a maioria dos homens. Não há outra forma mais eficaz de medir o espírito humano do que essa, a de nos colocar sob o crivo da verdade dura e crua sobre nós mesmos.

Homem sempre foi egoísta, é da natureza humana defender seus interesses, sua família, sua cidade, seu país, seu emprego, seu meio de vida, mas nessa atual era somos mais egoístas do que em todos os tempos já vividos. Vivemos 24 horas por dia empenhados em algum projeto pessoal, profissional, ou em alguma forma de promover nossas crenças ou as nossas ideologias políticas.

Evan do Carmo

Brasília, 03\04\2019

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