Não somos livres

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Para quem deseja um mundo melhor, é imperativo que se esforce para que esse seu desejo se torne evidente para quem o escuta. Há, portanto, um entrave entre o querer e o ser, “o ser e o nada”. Somos aquilo que transparecemos, quando não estamos sendo observados por alguém com autoridade e crivo para nos mensurar. Ética, como diz Oscar Wilde é o conjunto das coisas que praticamos em público.

O homem no íntimo, aquele que pensa e não realiza, deseja e não tem coragem de abraçar os desejos mais latentes na alma, este é o que de fato somos e não admitimos. Esta nossa vontade de autossuperação é que nos conduz ao sonho, ao utópico – ser o que queremos e não o que permitimos, ser criado pela coerção social. O fruto do meio. O nativo preconceituoso que não permite o diferente.

O existencialismo Sartriano não peca ao cognominar o homem de dono dos seus próprios passos, é a mesma ideia bíblica do livre-arbítrio. Cumpre ainda relembrar aos nossos pares que, além de donos do nosso caminho, ainda somos supracapazes de influenciar o caminho dos nossos semelhantes. Nenhuma ação pode ser praticada isoladamente sem causar danos aos observadores. É nesse impasse que reside a felicidade de muitos, desejos que não podem vir à luz, pois causariam prejuízo irreparável aos menos evoluídos.

Alguns teóricos tentaram com seus pensamentos infundir coragem em muitas gerações passadas, mas nunca encontraremos, nem mesmo em romances ou em tomos filosóficos, um homem totalmente livre para dizer e fazer o que pensa em secreto. Na literatura, por exemplo, não reconheço nenhum super-homem, exceto na filosofia insalubre de Nietzsche. Mesmo o cavaleiro cervantesco passa-nos uma ideia de autossuficiente, mas suas boas ações provam-nos que é mais humano que muitos mortais, e o seu regresso para sua vida insignificante e medíocre sem conquistar aquilo que almeja, nem sequer a musa Dulcineia lhe sorri, prova isso, Dom Quixote é um herói fracassado. Contudo, se formos além dos textos humanos, para pesquisar os deuses, também veremos que eles demonstram mais medo da liberdade suprema que suas criaturas…  Não há ser livre que não ame a ponto de se tornar escravo de alguém ou de alguma coisa. Mesmo os mais libertários se tornaram escravos dos seus desejos de ser livres, em nome de sua liberdade muitos escravizam semelhantes. Não é menos escravo aquele que se torna ditador do que aquele que aceita ser guiado por uma doutrina dita libertária.

do livro Fragmentos do Caos

 

 

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