TJDFT divulga vencedores do Prêmio Maria da Penha Vai à Escola

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Três iniciativas bem-sucedidas de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, desenvolvidas por profissionais de educação da rede pública do DF, serão premiadas pelo Núcleo Judiciário da Mulher do TJDFT. As ações vencedoras do Prêmio Maria da Penha vai à Escola foram selecionadas, entre 17 trabalhos inscritos, por uma comissão julgadora que visitou as 10 escolas finalistas para conhecer de perto as atividades e definir os três primeiros colocados.

O 1º lugar ficou com o projeto A violência doméstica e familiar contra a mulher e leis que promovem a proteção da mulher,desenvolvido, desde 2018, pela educadora Luana Nery Moraes, no CEM 12 de Ceilândia, com alunos dos 2º e 3º anos e familiares. Por meio da iniciativa, são realizadas oficinas com exposição sobre o tema violência contra a mulher, incluindo oficinas instrucionais para a realização de entrevistas e edição de vídeos, seminários, fanzines, cordéis e redações voltadas à temática, produzidos pelos próprios alunos. O projeto busca envolver toda a comunidade por meio de seminários abertos às famílias dos alunos. Segundo a idealizadora do projeto, a premiação significa “a valorização e o reconhecimento das atividades realizadas, considerando ainda a evidência de uma escola pública que desenvolve boas práticas e a cultura de paz”. O aluno do 3º ano, Victor Hugo Dias Oliveira, declara que “como estudante participante do projeto, avalio com orgulho e gratidão. Nesse período estivemos bem engajados a refletir a situação da mulher no mundo, assim, os valores e aprendizados que alcançamos serão úteis e duradouros”.

Na 2ª colocação, a iniciativa Penha está na escola!, realizada pela professora Vânia Lúcia Costa Alves Souza, no CED 310 de Santa Maria, nasceu a partir da pesquisa “Qual é o problema da sua quadra?”, aplicada nas aulas de geografia, na qual as respostas trazidas pelos alunos atribuíam grande destaque à violência doméstica. Implementado em 2017, o projeto desenvolve-se em 3 etapas: a primeira é voltada à sensibilização dos problemas locais e mapeamento das questões por meio de rodas de conversa e debates; na segunda, elabora-se uma proposta de intervenção a partir de pesquisas e confecção de cartazes, exposições e produção de vídeos; por fim, a terceira etapa envolve articulação em rede para que agentes externos conduzam palestras e oficinas com esses estudantes. Para a professora, “Nos três anos do projeto na escola foi possível constatar a mudança do discurso machista principalmente dos meninos. As meninas estão mais unidas e solidárias. É possível verificar narrativas sobre encaminhamentos legais de conhecidos para os casos de violência contra a mulher e a importância da denúncia”.

A ação Pelo fim da violência contra mulheres e meninas, aplicada pela educadora Luciene Pereira, no CEF Polivalente (Asa Sul), conquistou o 3º lugar. Iniciada nas aulas de Língua Portuguesa com estudantes do 7º ano, a prática envolve a análise crítica dos contos de fadas e reescrita das histórias, buscando retratar as violências vivenciadas pelas personagens, que culminou em um concurso de redação e desenhos, com o nome do projeto. Entre os frutos da inciativa, está a conquista do 1º lugar, no X Concurso de Redação e Desenho do Sindicato dos Professores do DF, que contou com mais de 4.000 trabalhos inscritos, pela aluna Maria Gouveia Lopes de Azevedo, de 12 anos, com a redação “Feminicídio: ato final da violência doméstica”, no contexto do programa “Quem bate na escola maltrata muita gente”. Por meio do projeto, os estudantes foram convidados ainda a participarem das Olimpíadas de Língua Portuguesa e escreverem sobre suas avós, que, sob a concepção dos alunos e alunas, são exemplos de mulheres. Em outra etapa do projeto, foi criado um grupo de dança e canto, intitulado “Gold Girls: em busca de um sonho”, com meninas dos 7º e 8º anos, que busca a valorização feminina e a união das mulheres em busca do respeito e da igualdade de oportunidades. Uma das integrantes do grupo conta que, com o projeto, descobriu que não precisa ter medo. Segundo ela, “este projeto é o símbolo da amizade, a gente segura uma na mão da outra”, finaliza.

A premiação será realizada, no dia 19/8, no Auditório da Academia do Corpo de Bombeiros do DF, durante a abertura da 14ª Semana da Justiça pela Paz em Casa. O prêmio para os três primeiros colocados consiste em dois aparelhos de TV e um notebook, além da publicação dos trabalhos na Revista Com Censo Estudos Educacionais do Distrito Federal, da Secretaria de Estado de Educação do DF. Os demais classificados receberão um kit de livros, além de menções honrosas.

No dia da premiação, acontecerá ainda o II Congresso Maria da Penha vai à Escola, no qual serão ministradas diversas oficinas pedagógicas, voltadas a profissionais da educação, tendo em vista a prevenção e o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. Na ocasião, haverá também composição de painel com especialistas na área violência sexual contra crianças e adolescentes e seus desdobramentos. As inscrições para o II Congresso MPVE estão previstas para iniciarem dia 22/7.

Prêmio Maria da Penha vai à Escola

O objetivo do Prêmio Maria da Penha vai à Escola é identificar e premiar as atividades bem-sucedidas já executadas nas escolas, como forma de valorizar os profissionais da educação e disseminar as boas práticas para os demais estabelecimentos de ensino do DF, tendo em vista a formação de uma cultura de respeito à mulher desde a infância.

Idealizada pelo Núcleo Judiciário da Mulher – NJM do TJDFT, o prêmio é direcionado aos profissionais de educação da rede pública de ensino do Distrito Federal que desenvolvam atividades e práticas relacionadas à prevenção e ao enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher.

A premiação conta com o apoio da Associação dos Magistrados do Brasil – AMB, Associação dos Magistrados do DF – Amagis/DF, Sindicato do Servidores do Judiciário e do Ministério Público do DF – Sindjus/DF e da Associação dos Defensores Públicos do DF – ADEP/DF.

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