Todos os posts de Evan do Carmo

Jornalista, escritor e poeta

SE O MEU AMOR FOSSE CANÇÃO

Se o meu amor fosse canção

Seria música de Tom Jobim

De natureza, bela, de luz e de sol

Seria pra mim a nona perfeita

Divina, sem início nem fim.

Se o meu amor fosse canção

Seria ópera de Wagner

Romance de Isolda e Tristão

Eclipses de Caetano

“Qualquer Coisa” vã

Travessia de Milton

Sina de Djavan.

Se o meu amor fosse canção

Seria assim, cheia de defeitos

Melodia incompleta

Rascunho de poeta

Poema sem som.

Evan do Carmo

SE O MEU AMOR FOSSE CANÇÃO

Se o meu amor fosse canção

Seria música de Tom Jobim

De natureza, bela, de luz e de sol

Seria pra mim a nona perfeita

Divina, sem início nem fim.

Se o meu amor fosse canção

Seria ópera de Wagner

Romance de Isolda e Tristão

Eclipses de Caetano

“Qualquer Coisa” vã

Travessia de Milton

Sina de Djavan.

Se o meu amor fosse canção

Seria assim, cheia de defeitos

Melodia incompleta

Rascunho de poeta

Poema sem som.

Canção nova escrita hoje… 23\11\2020

Evan do Carmo

Dia da Consciência Negra: quem foi Luiz Gama, figura-chave no movimento abolicionista brasileiro

Luiz Gama: autodidata, soube utilizar as leis vigentes para conseguir, pela justiça, alforriar centenas de escravos — e figura-chave no movimento abolicionista brasileiro. — Foto: Wikicommons

Luiz Gama: autodidata, soube utilizar as leis vigentes para conseguir, pela justiça, alforriar centenas de escravos — e figura-chave no movimento abolicionista brasileiro. — Foto: Wikicommons

Ligia Fonseca Ferreira diz que Gama, além de figura-chave no movimento abolicionista brasileiro, também se destacava por seus talentos literários e jornalísticos.

Depois de organizar a edição crítica da obra poética integral do autor — publicada pela editora Martins Fontes, no ano 2000 — e de publicar a antologia Com a Palavra, Luiz Gama: Poemas, Artigos, Cartas, Máximas — pela Imprensa Oficial, em 2011 —, Ferreira está lançando Lições de Resistência: Artigos de Luiz Gama na Imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro, 1864-1880, pela Edições do Sesc. A obra, que traz 61 artigos escritos pelo abolicionista, é fruto de um trabalho de pesquisa e seleção de três anos.

Para ela, reconhecer o Gama escritor é fundamental para que sua biografia não seja reduzida a “um relato chapado, a umas poucas linhas na história do abolicionismo”. “Ele é dono de uma escrita bastante complexa, poderosa, literária. Naquele momento, a imagem precisava ser construída com a palavra e ele era o homem da imagem. Escrevia assumindo o foco narrativo, como se tivesse uma câmera”, afirma.

Um dos trechos que ele usa para destacar o estilo está no texto Emancipação, publicado pela Gazeta do Povo em 1º de dezembro de 1880. “Em nós, até a cor é um defeito, um vício imperdoável de origem, o estigma de um crime; e vão ao ponto de esquecer que esta cor é a origem da riqueza de milhares de salteadores, que nos insultam ; que esta cor convencional da escravidão, (…) à semelhança da terra, [a]través da escura superfície, encerra vulcões, onde arde o fogo sagrado da liberdade. Vim [lembrar ao] ofensor do cidadão José do Patrocínio por que nós, os abolicionistas, animados de uma só crença, dirigidos por uma só ideia, formamos uma só família, visando um sacrifício único, cumprimos um só dever.”

BBC News Brasil: Por que até pouco tempo atrás Luiz Gama mal era citado como um dos abolicionistas?

Ligia Fonseca Ferreira: Você sabia que [o abolicionista] José do Patrocínio [(1853-1905)] era negro? Talvez nos livros didáticos, quando se ensinava abolição, isso nem se falava…

BBC News Brasil: Sinceramente, não sei precisar se já tinha essa consciência ou se foi uma memória construída depois, já adulto… Mas por que Luiz Gama foi deixado de lado?

Ferreira: Ele era lembrado como o abolicionista Luiz Gama, tinha lá uma estátua de bronze. Mas realmente sua personalidade está sendo trazida agora, por isso meu propósito em identificar a grandeza de sua obra. Não temos a obra jornalística do Joaquim Nabuco, do José de Alencar, do próprio Machado de Assis? O Luiz Gama não foi coisa pouca. Havia uma lei de 1837 que proibia negros de irem à escola. Então o fato de ele escrever e optar por isso, ele deve ter sido um superdotado. Depois, ao escrever nos jornais onde estavam os homens brancos letrados, ele passou a ocupar uma instância de poder.

Esta sua pergunta eu também me fiz: por que Luiz Gama não está mais presente na história do abolicionismo? Porque a história da abolição, como nos chegou e foi perpetuada, bem, eu tenho algumas hipóteses. Ela foi contada pela República, que Luiz Gama não viu [ele morreu sete anos antes da Proclamação]. E era uma República madrasta que queria apagar logo essa coisa da escravidão. Mas isso em um período de crenças, de preconceito, de acreditar que a “raça negra” era inferior, isso de modo sistematizado e com ares científicos.

O próprio Luiz Gama brinca com isso em um versinho, no qual ele dizia “ciências e letras não são para ti; pretinho da costa não é gente aqui”. Luiz Gama era o contrário de tudo aquilo, ele era o negro que escrevia, o negro que lia. Ele era praticamente uma contradição. Numa república de ímpeto embranquecedor, a história foi contada tendo as grandes famílias, as famílias poderosas [nos papéis principais].

SETE MESES SEM BRINCAR COM MEUS NETOS

Daria qualquer coisa menos valiosa que a vida para abraçar e rolar pelo chão da inocência dos meus netos.

Como faço parte dos sensatos, dos que amam e preservam a vida a qualquer custo, não tenho pressa para me arriscar, contudo, às vezes me pergunto se ainda seremos os mesmos.

Diante da tragédia mundial, e da maior de todas, a daqui no Brasil com 145 mil mortos, o que é o desejo egoísta de um avô?

um homem feliz

⁠A vida está quase perfeita
com todas as coisas 
em seu devido lugar.

A carreira, a mulher amada
a música, a cozinha, o vinho
a poesia, os filhos criados.

Tudo está consumado,
a plenitude da paz.

Algumas virtudes alcançadas
estou definido como um homem feliz.

Estou consciente do que virá,
impreterivelmente aguardo,
o imprevisto nas mãos de Deus
e a fatalidade e a tragédia 
na intromissão do caosEvan do carmo

Ministro Celso de Mello antecipa aposentadoria do STF

Mídia de cabeçalho

O decano completa 75 anos no dia 1º de novembro, data limite para sua aposentadoria. Celso de Mello decidiu, no entanto, antecipar sua saída para 13 de outubro. A aposentadoria do ministro abre a primeira vaga para indicação do presidente Jair Bolsonaro, que deve ser aprovado pelo Senado posteriormente.

o que eu quero ter

Uma canção de Evan do Carmo

Eu só queria ser a luz do teu olhar
O braços que te abraçam
Nas noites de luar.
Eu só queria ser
A brisa da manhã
O vento refrescante
Das tarde de verão.
A água limpa e doce
Que banha o teu corpo
Sedento de calor
O vinho dos amantes
Que alegra o coração.
São só pequenas coisas
O que eu desejo ter
É pura vaidade
A febre do querer.
Eu só quero uma coisa
De real valor
Eu daria tudo isso
Pelo teu amor.

WHAT I WANT TO HAVE

WHAT I WANT TO HAVE

I just wanted to be,
the light of your gaze
the arms that embrace you
on moonlit nights

I want to be
the morning breeze
the refreshing wind
summer afternoons

Clean and fresh water
that bathes your body
thirsty for affection

The wine of lovers
that cheers the heart

It’s just little things
what I wish I had
it’s pure vanity
the fever of wanting

I just want one things
of real value
I would give it all
for your love.

EVAN DO CARMO

WHAT I WANT TO HAVE

WHAT I WANT TO HAVE

I just wanted to be,
the light of your gaze
the arms that embrace you
on moonlit nights

I want to be
the morning breeze
the refreshing wind
summer afternoons

Clean and fresh water
that bathes your body
heat-hungry

The wine of lovers
that cheers the heart

It’s just little things
what I wish I had
it’s pure vanity
the fever of wanting

I just want one things
of real value
I would give it all
for your love.

EVAN DO CARMO

AMAR NÃO É SOFRER

NOVA CANÇÃO DE EVAN DO CARMO

Amar não é sofrer

A7+                                     F#m                 Bm

Que um amor precisa ser triste pra ser bom,

C#m                              D+                        A6

Não posso concordar com Vinicius nem com o Tom

G#m7(9)              C#7                F#m

Não parece-me coisa muito boa

B 79                             E7(9)                        A7+

Caminhar sobre espinhos para sentir prazer.

G#m7-5         C#7(9)                 F#m6

Sofrer pode ajudar o poeta a refinar

              B7(9)             E               C#m7

Suas preferências e afinar sua lira

Dm                 A6                     F#m7 Bm         E79

Mas sobre o amor isso não é verdade.

A                     F#m             Bm           E79

O amor deve ser nossa última parada

A7 +         Bb%           Bm      C#m7-5 F#13

Um porto seguro e calmo, onde silenciosamente

Bm                     E79 

Ouvimos o coração dizer:

A7+                       BM   E  F%                    F#m

“Agora estou em paz, finalizo minha história

B79                                                  E   A

Com uma exclamação generosa,

G#m7(9)              C#7                F#m

Atravessei o grande mar da ilusão

Bm                            DM               A 7+

Não sofro mais em buscar em vão.

G#m7(9)     C#7        F#m

Tudo se tornou possível,

F#m6       B7(9)          E7(9)                 A7+

É um recomeço, uma inexorável conclusão.

Evan do Carmo

Livro, artigo de luxo? Quanto custa e quanto pode custar um livro no Brasil

Projeto de reforma do governo federal prevê cobrança de contribuição para o setor de livros. Novo tributo pode encarecer obras em 20%, dizem editores.

LIVROS MAIS CAROS

Quem quer proteger e quem quer criticar o mercado de livros no Brasil está em lados opostos do campo de batalha, mas utiliza o mesmo argumento: o preço é elevado e faz do livro um artigo quase de luxo.

Se a primeira etapa da reforma tributária do governo federal enviada para o Congresso for aprovada, o setor perde a isenção de recolhimento de contribuição que tem atualmente. Assim, um novo tributo, estimado em 12%, passará a incidir sobre ele. Editores estimam que o livro fique 20% mais caro.

Para explicar o que compõe o valor do livro e qual será o impacto do possível tributo no mercado editorial, o G1 conversou com Alexandre Martins Fontes, dono da Livraria Martins Fontes, e Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e da editora Sextante.

O que compõe o preço do livro no Brasil

O valor de capa do livro, aquele que o cliente efetivamente paga, é sugerido pelas editoras com base em dois pontos: um cálculo objetivo e uma percepção subjetiva. Em 2019, o preço médio do livro no Brasil foi R$ 19, segundo dados da Nielsen, do Snel e da Câmara Brasileira do Livro.

Esse preço precisa conter o pagamento do autor, os gastos para fazer o livro, os custos e os lucros de editora, distribuidor e livrarias. Na conta da editora, a divisão média é a seguinte:

  • 10% de direitos autorais: valor pago aos autores pela obra;
  • 5% de custos editoriais: revisão, projeto gráfico, ilustração, capa, tradução e copidesque (nos casos de obras internacionais);
  • 10% de custos industriais: papel, impressão e embalagem;
  • 15% de despesas administrativas: salários, marketing e divulgação, logística e eventos;
  • 5% de reserva para perdas diversas: estoque, adiantamentos de direitos autorais e contas a receber;
  • 5% de lucro para a editora;
  • 50% de margem para livrarias ou distribuidores.

Depois de prontos, os livros são vendidos para livrarias ou distribuidoras com 50% de desconto do valor de capa, em média.

Se um exemplar custa R$ 50 para o consumidor final, ele é vendido para as livrarias ou distribuidoras por R$ 25 em média, dizem os entrevistados.

Assim, as livrarias que compram diretamente das editoras têm margem de 50% do valor de capa para pagar seus custos (funcionários, aluguel), ter lucro e trabalhar com o preço, oferecendo promoções.

No caso das que dependem das distribuidoras, essa margem cai para 30 a 35%, em média. “O distribuidor compra o livro da editora e revende para a livraria. Principalmente as pequenas não têm volume de compra para justificar o pedido direto porque precisam comprar um exemplar de cada editora”, diz Martins Fontes.

Então, onde entra a percepção subjetiva nessa conta? Com base nas porcentagens que compõem o livro, é possível estipular o valor.

Pereira explica que os editores se baseiam no preço que o livro custou para ser produzido, revisado e impresso e dividem pela tiragem.

Como esse custo unitário representa, geralmente, 15% do valor de capa, eles fazem a relação percentual e chegam ao preço que o livro precisa de fato custar nas livrarias.

“É como se fizéssemos a conta de cabeça para baixo. Se imprimimos 3 mil exemplares de um livro que custou R$ 30 mil, o custo unitário dele foi R$10. Como o custo representa 15% do preço de venda, fazemos a relação e esse livro precisa ser vendido por R$ 66”, explica o editor.

“Mas sempre determinamos em função da percepção de valor que temos dele. Baseado em que tipo de livro é, chegamos à conclusão que ele tem que custar R$ 50 e não R$ 66.” Essa percepção de preço não se explica, é preciso anos de mercado.

A partir daí, há um esforço para diminuir o custo. A melhor maneira é pelo aumento da tiragem: quanto mais cópias, menor o valor de cada uma delas. Mas há o risco de que a tiragem seja maior do que o interesse do público.

Esse raciocínio ajuda a explicar por que o número de cópias impressas é um dos principais condicionadores de preço no país.

A tiragem média inicial no Brasil está em torno de três mil exemplares, segundo o presidente do sindicato. Uma tiragem vantajosa começa a partir de cinco mil.

A quantidade está bem abaixo da registrada em outros países. “Esse número sempre varia muito, mas eu diria que a tiragem inicial média de um livro nos Estados Unidos oscila entre 10 e 15 mil exemplares”, avalia Pereira.https://audioglobo.globo.com/widget/widget.html?podcast=539&color=C4170C

Livro está mais caro do que era?

O valor nominal do livro (o preço que o consumidor paga) aumentou. Se em 2006, ele custava, em média, R$14,20, em 2019 essa média está em torno de R$ 19.

Mas a inflação entre os dois períodos cresceu mais. Entre julho de 2006 e julho de 2020, a inflação acumulada foi de 107% pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Assim, os R$ 14,20 do livro médio em 2006 equivalem a R$ 29,48 em preços atuais.

Um exemplo conhecido de quem acompanha o mercado editorial, mas ainda utilizado por Martins Fontes e Pereira é “O Código da Vinci”. A obra de Dan Brown foi lançada no Brasil por R$ 34,90. Em valores corrigidos pelo IPCA, seria o equivalente a R$ 83,67 atualmente.

“Se pegar um livro semelhante a ele hoje, vai provavelmente estar perto de R$ 60. Essa diferença foi o quanto ficou mais acessível nos últimos 15 anos”, diz Martins Fontes. Para os editores, a ideia de que o livro é um artigo de luxo reflete desconhecimento do mercado.

“A venda em grandes cadeias aumentou a presença de livros nas classes C e D no início da década. A Avon vendeu nos catálogos a preços baixos (R$ 10) em todo o país e se tornou a maior revendedora do Brasil. As Lojas Americanas vendem muito também. Dizer que livro é elitizado é um pensamento de quem só frequenta livrarias do Leblon e de Pinheiros”, diz Pereira.

Por que o livro não paga imposto?

O setor de livros – tanto o produto em si, quanto o papel utilizado para sua impressão – tem imunidade do pagamento de impostos garantida pela Constituição Federal.

Já as contribuições, tributos com destinação específica, não são abordadas na Constituição. O setor editorial recebeu isenção da cobrança do Pis/Pasep e do Cofins (contribuições sociais) em 2004, pela Lei 10.865. No caso da contribuição, o livro não é imune, mas a alíquota é zero.

Se o benefício para o livro for extinto, o preço pode aumentar em 20%. “É uma estimativa ainda porque precisamos entender se vai haver aumento de insumos e dos serviços contratados”, diz Pereira.

Como está o mercado editorial brasileiro

Após amargar quedas nos primeiros meses da pandemia, com faturamento 48% menor em abril, o mercado editorial teve um bom resultado em julho em relação ao mesmo período de 2019.

De acordo com dados de um estudo feito pela Nielsen, apresentados pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), ao longo de julho, houve um aumento de 0,64% em volume e 4,44% em valor, em comparação ao mesmo mês de 2019.

Mas é preciso olhar com atenção para esses dados: o setor seguia em queda desde 2018, quando as redes de livrarias Cultura e Saraiva entraram com pedido de recuperação judicial e fecharam lojas pelo país.