Saramago, divagando sobre sua própria morte.

Eu sou  José Saramago, escritor portugues, nasci pobre, não estudei em faculdade, e pela leitura me tornei escritor, mas a fama não me trouxe paz, pelo contrário, nunca pude crer em nada além do homem,  nem em Deus, para mim, imagem feita pelo ser humano, com o intuito de se proteger da calamidade natural, do caos incorrigível.

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Platão x Homero

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PLATÃO

Segundo um erudito da mais alta proeminência, arguto crítico das artes literárias, no ocidente temos alguns escritores que nos são importantes seus estudos, para compreender as origens das suas sapiências. Este senhor, que desfruta da mais alta posição entre os intelectuais do século vinte é, para mim, um indivíduo que merece respeito. Estudei sua obra por várias vezes e encontrei de fato bastante inteligência nos seus ensaios. Todavia, descobri um propósito singular na sua prole literária crítica. Em um contraponto entre Platão e Homero, ele, com estilo eloquente, traz à luz um pensamento, que a meu ver não é veraz.

Depois de várias leituras da obra original do filho ilustre de Sócrates, cheguei a uma conclusão, talvez tardia, que um discípulo instruído oralmente não podia representar com legitimamente o pensamento do seu mestre. Digo isso com base em muito estudo sobre a força moral que exerce um amo sobre seu escravo. Mesmo em um contexto espiritual, dos mais dignos de honra e nota, encontramos (essa) verdade explícita.  Jesus diz para seus discípulos que eles não estão aptos para saber muitas coisas que os fariam tropeçar. Um mestre generoso, por mais desprendimento que carregue, concernente à vaidade, não ensina nada a mais do que seu aluno possa suportar. Portanto, não seria justo atribuir a Platão toda sapiência do seu mestre, uma vez que, para quem estuda com afinco e zelo sua obra, fica muito fácil compreender, que há discordância mesmo nos textos mais nanicos que nos apresenta seu astuto aluno.

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Conceito divino sobre o uso do vinho

No livro dos juízes, a mãe de Sansão foi alertada pelo anjo de Jeová sobre beber vinho; isso em uma lista de coisas impuras que deveriam ser evitadas. Uma vez que aquele filho que ela teria de modo milagroso, por ser estéril, seria um Nazireu, ou alguém apartado para um fim sagrado. Segue o relato: “E agora guarda-te, por favor, e não bebas nem vinho nem bebida inebriante, e não comas nada impuro. Pois, eis que ficarás grávida e certamente darás à luz um filho, e não deve vir navalha sobre a cabeça dele, porque o rapazinho se tornará Nazireu de Deus ao sair do ventre; e será ele quem tomará a dianteira em salvar Israel da mão dos filisteus.” “Mas, ele me disse: ‘Eis que ficarás grávida e certamente darás à luz um filho. E agora, não bebas nem vinho nem bebida inebriante, e não comas nada impuro, porque o rapazinho se tornará Nazireu de Deus desde a saída do ventre até o dia da sua morte. ’”

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Deus, à maneira de Alguns.

Deus, para homens, um modelo moral, uma  perfeição, para instituição religiosa um produto, fonte de onde se extrai benção e maldição. Homens estudiosos, no campo secular, ignoram este símbolo de temor. Deus, para os intelectuais, com algumas execeções, nada representa além de criação psicológica.

Houve poucos espíritos, no ramo da ciência que se importaram com este tema, alguns até produziram bons trabalhos, tentando de certa maneira, explicar, sobretudo para seus contemporâneos a razão de se incomodarem com este assunto de difícil domínio. Ainstein tentou se expressar, como bom jornalista que era, todavia com muitos arrodeios e média elouquência, sua religiosidade cósmica.

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Mario Vargas Llosa

Mario Vargas Llosa,  escritor mediano, político medíocre, que nunca saiu do primeiro capítulo, sua biografia é de um escritor político e não o contrário, para o bem dos peruanos ele não consiguiu implacar suas ideias marxistas no mundo concreto da política. Nascido no mundo latino, se tornou revuluconário natural,  pela miséria que conheceu na própria pele. Viveu sua vida, grande parte, fora de sua pátria, escolheu ser escritor a ser político por tempo integral.

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Morte, inimigo número um do homem

Morte, inimigo número um do homem

Nossa alma sofre quando percebe a transitoriedade da vida, a existência, em sua mais alta complexidade, nos proporciona reconhecer que somos como uma bruma. Há uma força brutal na expressão: “tu és pó e ao pó voltarás”. Convivemos muito bem com o nosso melhor inimigo, a morte, desde que ele não bata em nossa porta. Nos sentimos capazes de consolar alguém enlutado, temos palavras cheias de boa vontade de que nosso próximo possa superar a dor dilacerante da morte de um ente querido. Todavia não cogitamos o fato concreto, nem em hipótese admitimos que a morte exista para todos. É como já disseram alguns filósofos estéreis, “a morte é nossa única certeza”. Assim como morre o homem, morre o cão. Alguns ainda defendem que a morte seja uma coisa supranatural, que ao morrer se encontra o descanso eterno e desejado durante toda luta pela vida, pela felicidade.

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Hamlet e Dom Quixote

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OBRA DO POETA EVAN DO CARMO, ILUSTRATIVA PARA O CONTEXTO.

Este ensaio poderia levar o nome de Cervantes e Shakespeare, se suas obras não fossem maiores que seus autores. Shakespeare e Cervantes habitam o ponto mais alto da literatura ocidental. Qualquer ser ficcional que tenha surgido nos últimos quatrocentos anos é uma mescla dos dois espíritos, ou é cervantesco ou shakespeariano.
Todavia como encontrar acertadamente um equilíbrio entre a importância dos dois? A meu ver, podemos nos aproximar de um entendimento sobre os dois autores por fazer uma comparação da alma de Hamlet com a alma de Dom Quixote.
Este ensaio pretende tratar os dois autores como mestres de sabedoria da literatura moderna, comparáveis apenas com o livro de Eclesiastes e ao livro de Jó, a Homero, e talvez com Platão.

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Fujam dos Fenômenos

Em literatura nada se cria, tudo se copia. Que chavão horrendo. Todavia há muita verdade neles, e provavelmente por isso são chavões. É encantador observar leitores imaturos deslumbrados com a inteligência dos nossos autores contemporâneos.
Qual a origem do grandioso trabalho de Goethe? Dos grandes ensaios da “cegueira” ou “lucidez” de Saramago? É fácil encontrar as origens dos grandes fenômenos literários do nosso século, e de muitos dos séculos passados. Na essência criativa de cada autor, há de sobra plágios e paráfrases bem elaboradas.

Não precisamos ir muito longe para encontrar as pegadas do espírito criativo, dos deuses da literatura. Todo escritor antes de ter coragem de publicar precisa estudar milhares de outros autores. O fato é que a maioria deles aplica a máxima Nietzschiana: “o segredo da criatividade é não revelar a fonte”.

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O fator Deus, Saramago.

O problema do “Fator Deus” de Saramago é que ele não discute de fato o fato, se Deus existe ou não. Além do fato de cometer um equívoco amador, quando atribui uma máxima de Dostoiévski a Nietzsche. “Se Deus não existe então tudo é permitido” Eu lamento que um escritor tão renomado como ele não tenha tido cuidado ao citar como embasamento um autor que parece desconhecer. Penso que o escritor que se autodenomina ateu ou cristão quer, a meu ver, chamar a atenção do mundo para sua obra, quando o ideal seria chamar a atenção pela obra e não pela crença ou descrença.

Eu antes citei, em algum lugar, em um livro meu, o livro fraco de Saramago, Caim. Agora que ele morreu, alguns leigos andam lhe atribuindo honras de santo. Acredito que até uma ou outra ala da igreja católica o venera também, afinal, este adorável ateu se tornou o único escritor de língua portuguesa a ganhar o famigerado Prêmio Nobel de literatura. Critico-o, com forte razão, porque não me parece razoável que um indivíduo tão estudado não tenha percebido que existe na alma humana algo divino. Não importa o nome de Deus, se é Javé ou Jeová, fato é que a razão em si aponta uma inteligência superior. Mas nosso querido espírito português talvez tenha sido em grau extremo vitima da miséria e por esta razão nunca desenvolveu nenhum coeficiente de fé.

 

Sobre os seus argumentos – a desgraça humana, as guerras santas, as ideologias cegas e insanas do oriente ou a quantidade de mortos por questões políticas – nada disso serve como um argumento racional para quem conhece a fundo o outro lado da moeda, para quem sabe das origens das barbáries nos homens. A ignorância dos indianos, a crença em animais, não revela apenas um Fator Ignorância, atraso mental, conseqüência de vidas miseráveis e tribais?

Ainda fica evidente, para mim, que esta descrença dos literatos serve apenas para proteger suas inanes consciências, quanto à miséria dos seus irmãos. Muitos enricam, ganham prêmios milionários, por terem ousado pôr o dedo no olho de Deus, mas pouco ou quase nada fazem pelos miseráveis.

 

Quando um espírito avança em conhecimento, quando chega ao topo da torre de babel, ele não se contenta mais com algo que não lhe pareça lógico e por algum tempo fica perdido, por que não consegue explicar o “COGITO, ERGO SUM”! Prefiro os sábios que não precisam negar o divino para viver o profano. Cumpre lembrar ainda, que poderíamos usar o Fator Divino em vez do “Fator Deus”, pois o que deve ser entendido e aceitado, para melhoria da humanidade, é a percepção da essência superior da razão espiritual no homem.

 

 

Evan do Carmo. Brasília 19/06/2010

 

Literatura e Notícias

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